22.4.11

Dia Mundial de Fotografia Pinhole

Dia 24 de Abril, domingo...!



No último domingo de Abril, celebra-se anualmente o dia mundial de fotografia "pinhole", um evento que reúne milhares de fotógrafos em todo o mundo, com uma exposição on-line com fotografias "pinhole" realizadas em vários países neste dia, suportada e promovida pelo WPPD.

É fácil e divertido, transformar uma câmara reflex tradicional de lentes intermutáveis, analógica ou digital, com controlo manual de exposição, numa câmara pinhole - sendo necessário uma lata de refrigerante ou cerveja, uma agulha, um pedaço de lixa fina, uma tesoura e gomas-colantes (Bostik ou UHU); e assim participar neste evento mundial, juntando-se à comunidade portuguesa na exposição on-line:
1- com uma tesoura, recorte o topo e o fundo da lata de refrigerante ou de cerveja, de forma a ficar com um cilindro e abra-o com um corte de alto a baixo, de forma a ficar com uma chapa plana de metal fino.
2- recorte um círculo de chapa com o diâmetro exterior da baioneta do corpo da sua câmara fotográfica.
3- com uma agulha fina, faça um furo no meio do círculo de chapa e com a lixa alise o furo de ambos os lados - limpar BEM a sujidade com um guardanapo de papel húmido.
4- retire a objectiva da câmara e com a goma-colante faça um cordão enrolado com os dedos, e coloque-o por cima da baioneta do corpo da câmara em círculo - faça alguma pressão sem deixar que a goma-colante transborde para o interior da baioneta.
5- coloque o círculo de chapa por cima do círculo de goma-colante com alguma pressão de forma a ficar fixo - a chapa com o furo substitui assim a objectiva.
6- coloque a câmara em modo "Manual".
- Câmaras analógicas: sugere-se a utilização de um rolo 400 ASA e exposições entre 1/8 de segundo e 4 segundos, dependendo da luminosidade existente. Pode variar ainda mais este leque de tempos de exposição. Com rolos menos sensíveis os tempos de exposição deverão aumental proporcionalmente.
- Câmaras digitais: ajuste a velocidade conforme os resultados que for visualizando no ecrã.

ATENÇÃO: O PinholeLab não assume qualquer responsabilidade por acidentes e avarias nas câmaras fotográficas decorrentes do procedimento acima explicitado. As gomas-colantes não deixam resíduos sobre a baioneta da objectiva, mas retirar a objectiva e o mau manuseamento destes materiais pode conduzir a acidentes ou danos nas câmaras fotográficas. A pessoa que tentar realizar este procedimento será o único responsável pelos seus actos.

Processo alternativo: Caso possua uma tampa original para o corpo da câmara, pode transformá-la numa tampa "pinhole" permanente que pode colocar em vez da objectiva sempre que pretender. O procedimento é semelhante e só que terá que fazer um orifício maior no plástico da tampa antes de colocar a chapa com o furo "pinhole". NÃO USAR UM FURO "PINHOLE" DIRECTAMENTE NO PLÁSTICO DA TAMPA. Mais informações:


Em caso de dúvidas e para mais apoio, contactar pelo e-mail: cambraia.rui@gmail.com

10.4.11

Óbidos Pinholando

Uma inicitiva de António Campos Leal (Clube Buraco de Agulha) Óbidos Pinholando é uma exposição de fotografia estenopeica com autores convidados oriundos de diversos países , que inclui uma mostra de câmaras fotográficas "pinhole" e oficinas.

Poderemos ver obras de Gregg Kemp (USA), Tom Miller (USA) e Paolo Aldi (IT), fotógrafos ligados à organização do Worldwide Pinhole Photography Day, bem como imagens de António Granero (SP), Massimo Stefanutti (IT), Marie-Noëlle Leroy (FR), e dos portugueses António Campos Leal, Pedro Gil, Pedro Horta e Rui Cambraia.

O evento realiza-se no Centro de Design de Interiores Maria José Salavisa, em Óbidos, na Rua do Facho, nº 5.

Inaugura a 15 de Abril e está patente até 15 de Maio.


imagem: cortesia CDI Maria José Salavisa, Óbidos

5.1.11

O olho Pinhole...

... e a imagem estenopeica na Natureza

A história da Fotografia, é a história da fotossensibilidade, que sob a forma de órgão “visual” surgiu há cerca de 500 milhões de anos, no período Câmbrico, com o aparecimento dos primeiros olhos rudimentares que evoluíram a partir de células pigmentadas fotossensíveis, que em vez de converterem a energia luminosa em energia química, como acontece na fotossíntese, converteram-na em energia eléctrica ou impulsos nervosos.
Estes “olhos primitivos” ou olhos punctiformes, eram constituídos à base de proteínas sensíveis à luz (a Opsina), que são comuns até no interior de alguns seres unicelulares, e distinguiam no ambiente a presença de luz da sua ausência, processo que está na origem da configuração biológica de ritmos orgânicos ligados ao ciclo dos dias – os ritmos circadianos, primordiais na constituição e proliferação de organismos complexos.
A fotografia nasce do apuramento da luta pela sobrevivência e da adaptação ao meio ambiente...
Existe ainda hoje uma forma de olho primitiva num animal: o olho estenopeico do molusco Nautilus, que evoluiu muito pouco desde o período Câmbrico.


Nautilus
imagem: Douglas Faulkner


Trata-se de um modelo de olho de transição, entre os olhos punctiformes, planos, de pigmentos fotossensíveis e os olhos tal como os entendemos hoje, com forma de globo e uma lente interna (o cristalino). O termo estenopeico (onde os anglófonos utilizam a palavra Pinholeburaco de alfinete ou buraco de agulha) aplicado à óptica, designa um processo no qual a luz entra numa câmara escura através de um pequeno orifício (o estenopo) e que tem a propriedade de formar uma imagem reflectida do exterior projectada no seu interior.
Este fenómeno de formação de imagens com raios de luz que atravessam pequenos orifício é um fenómeno natural, e acontece espontaneamente em certas condições: por exemplo, durante um eclipse solar, quando as condições de luz ambiente são muito mais baixas que as que se verificam durante um dia normal, a imagem do Sol eclipsado pela Lua pode ser vista em projecções naturais, sobre o chão ou nas paredes, devido à luz que passa através de pequenos orifícios que se criam entre as folhagens de uma árvore próxima.


Eclipse solar, imagens estenopeicas naturais, Outubro de 2005
imagem: Rui Cambraia

Muitos de nós já tiveram essa experiência mágica de ver imagens projectadas no tecto e nas paredes do quarto, ao acordar de manhã, formadas pelos raios de luz que atravessam os pequenos orifícios das persianas semi-cerradas. Entre o olho do Nautilus, as folhas sobrepostas nas ramagens de uma árvore, e os vultos em movimento na penumbra dos nossos despertares, a Natureza é fotográfica e as imagens estenopeicas naturais motivaram seres-humanos a empreender um longo processo de reflexão e investigação, de muitos séculos, entre artistas, filósofos, físicos e químicos, até ao anúncio oficial da invenção da Fotografia, em 1839 – o processo técnico através do qual se consegue fixar sobre um suporte, uma imagem projectada.
Cada fotografia pode ser assim entendida como uma imagem de subsistência, e ao contrário do que afirma Roland Barthes, fotografar é um acto pela vida...

15.6.10

WPPD 2010 - um balanço



O Worldwide Pinhole Photography Day, completou 10 anos no passado mês de Abril.
Iniciado em 2001, a primeira exposição contou com a modesta participação de 291 pessoas, oriundas de "apenas" 24 países. Portugal marcou presença com 4 participantes.
Em 2009 foram já 70 os países representados, através da participação de 3203 pessoas, onde Portugal contou 51 entusiastas desta técnica fotográfica.
Este ano o WPPD manteve o número de países participantes e subiu ligeiramente a cota de fotógrafos para 3449. Portugal, no entanto, duplicou o número de participantes para, exactamente, 102 fotografias entradas na exposição mundial on-line.
Este incremento significativo de participantes de Portugal deve-se a múltiplas actividades formativas e expositivas que têm sido levadas a cabo regularmente em diversos pontos do país. Indicia um futuro interessante para a fotografia analógica (pensado sobretudo nas suas possibilidades "alternativas", como a fotografia instantânea e como a Lomografia) e para a fotografia pinhole em particular, nas suas vertentes pedagógica, artística e como recurso educativo em múltiplas áreas socialmente interventivas (animação, reinserção social, educação artística, etc...).

27.4.10

WPPD 2010 II

No dia 25 de Abril, o PinholeLab (projecto de parceria entre o LAC - Associação Cultural de Lagos e o Núcleo de Fotografia do Instituto Politécnico de Portalegre) celebrou o Dia Mundial de Fotografia Pinhole em Lagos, no LAC, com a abertura de um laboratório fotográfico improvisado e a disponibilização de câmaras fotográficas "pinhole" artesanais para quem quis experimentar e participar no WPPD 2010. Entre sábado e domingo estiveram presentes cerca de vinte e duas pessoas que realizaram dezenas de fotografias "pinhole".
No Sábado, dia 24, no Centro Cultural de Lagos (CCL) e no âmbito da exposição "Lagos através do buraco da agulha", houve um atelier de fotografia estenopeica orientado por Inês Silva (CCL).



Paralelamente, e à semelhança do ano passado, desenvolveu-se uma actividade com uma carrinha de caixa fechada e adaptada para câmara fotográfica estenopeica. Foram realizadas três imagens de grandes dimensões sobre papel positivo directo Agfa Litex.




Ruínas Torralta, 26 min. de exposição, 105 x 310 cm




Nova praça do Infante, 30 min. de exposição, 105 x 290 cm




Muralhas, 26 min. de exposição, 105 x 280 cm

Fomos acompanhados por Paulo Sampaio, de Silves, cujos trabalhos em torno da fotografia "pinhole" recomendamos (podendo ser vistos na sua página pessoal), e que testemunhou, ao longo dos dois dias, as dificuldades, desenvolvimentos e muitas surpresas do processo de realização de imagens de grandes dimensões, habitando como nós, durante largos minutos, o interior de uma câmara fotográfica estenopeica.
O PinholeLab agradece especialmente a Paula Custódio (LAC), Jorge Rocha (LAC), Maria João Alcobia (LAC), e ao Xico (que se estreou no mundo luminoso da fotografia "Pinhole") pelo entusiamo, disponibilidade e envolvimento nas actividades do WPPD, e à Associação Teatro Experimental de Lagos pela cedência da carrinha "pinhole", apoios sem os quais não teria sido possível realizar as imagens de grandes dimensões.

Estas actividades do PinholeLab tiveram o patrocínio do Centro Cultural de Lagos.

imagens: Rui Cambraia e Paulo Sampaio - fotografias da localização da carrinha