25.4.14

Dia Mundial de Fotografia Pinhole 2014

No último domingo de Abril, em cada ano, celebra-se o Worldwide Pinhole Photography Day (dia mundial de fotografia pinhole). Nesse dia, um pouco por todo o mundo, alguns milhares de pessoas realizam fotografias estenopeicas com câmaras pinhole artesanais e industriais, analógicas ou digitais, que depois enviam para uma exposição mundial on-line, promovida pela organização deste evento no seu website www.pinholeday.org.

O PinholeLab propõe aqui um tutorial para adaptação provisória de uma câmara fotográfica digital em câmara pinhole. A câmara tem que ter lentes intermutáveis - uma reflex ou uma compacta híbrida -, porquanto a condição primordial da fotografia estenopeica é: fotografia realizada sem o auxílio de lentes.
A luz terá assim que entrar na câmara através de um pequeno orifício - o estenopo, ou pinhole -, de modo a poder formar uma imagem no seu interior.

Nos exemplos que se seguem serão utilizadas duas câmaras digitais reflex (DSLR).
Tempo estimado para os procedimentos: 20 minutos.

1º EXEMPLO

Materiais necessários:
Uma lata de bebida refrigerante; massa autocolante (tipo Bostik ou UHU u-tac); x-acto, tesoura, régua e compasso.

Com o x-acto, corta-se e planifica-se o corpo cilíndrico da lata.

Mede-se o diâmetro da baioneta da câmara fotográfica.

Na chapa metálica, desenha-se um círculo com o diâmetro determinado anteriormente.
No mesmo passo, depois do desenho, a ponta do bico do compasso (só a ponta do bico) serve para fazer o furo central no círculo de chapa.
NOTA: apenas uma leve pressão para perfurar a chapa, só com a ponta do bico (o furo não pode ficar demasiado aberto, e deve mesmo ficar muito pequeno, quase imperceptível).

Recorta-se o círculo desenhado e perfurado.

Com a massa autocolante produz-se um cordão com a dimensão do perímetro do círculo de chapa.

Coloca-se o cordão de massa autocolante sobre a baioneta da câmara (estas massas autocolantes não deixam resíduos na baioneta depois de retiradas, e após uma limpeza simples com papel de cozinha).

Coloca-se a chapa perfurada sobre o cordão de massa autocolante e ajeita-se, fixando-a com uma leve pressão dos dedos.

2º EXEMPLO

Com uma tampa própria para o corpo da câmara, normalmente em plástico, produz-se um orifício central com 5 a 8 milímetros de diâmetro, utilizando uma ferramenta perfurante (berbequim e broca, por exemplo, ou outros utensílios que permitam furar o plástico).


Sobre a tampa plástica perfurada, fixa-se a chapa circular com o estenopo, utilizando massa autocolante ou mesmo cola (epoxy, por exemplo, ou outra que cole em plásticos rígidos).
NOTA: Fazer coincidir o estenopo (pinhole) da chapa com o centro do furo na tampa.


Fotografia pinhole digital, Nikon D40, modo Manual (M) / Vívido, ISO 200, 2 segundos de exposição. Chapa de lata de refrigerante, com estenopo realizado com o bico do compasso.

Fotografia pinhole digital, Nikon D40, modo Manual (M) / Preto e Branco, ISO 400, 2 segundos de exposição. Chapa de lata de refrigerante, com estenopo realizado com o bico do compasso.

Os exemplos acima descritos podem ser utilizados com câmaras reflex analógicas, com película fotográfica (a cores ou a preto e branco) que terá de ser, posteriormente, revelada num laboratório fotográfico.

NOTA FINAL: O PinholeLab não assume qualquer responsabilidade por danos causados nas câmaras fotográficas de quem experimentar os procedimentos acima descritos, nem por ferimentos decorrentes da utilização das ferramentas de trabalho.

Em caso de dúvidas, por favor contacte-nos: pinholelab@gmail.com
Participe no Worldwide Pinhole Photography Day: www.pinholeday.org

12.11.13

2º Atelier de Fotografia Pinhole em Serpa

O segundo atelier de Fotografia "Pinhole" voltou a superar as expectativas, tendo duplicado o número de inscrições inicialmente abertas, e onde foram obtidos excelentes resultados fotográficos, realizadas algumas experiências novas, adquirida uma boa autonomia com muita entre-ajuda dos participantes, mas, sobretudo, onde se imprimiu muita energia e entusiasmo...!
O PinholeLab agradece ao departamento cultural da Câmara Municipal de Serpa, e muito particularmente a toda a equipa da Biblioteca Abade Correia da Serra, a renovação do convite e o esforço levado a cabo para a realização desta actividade nos seus espaços polivalentes.

Tradicional fotografia de grupo, onde a postura não é a do sorriso "cheese", mas tentar fazer de estátua o melhor possível, para não ficar desfigurado devido à longa exposição (20 seg.). Os mais irrequietos notam-se logo...!

Uma das experiências do dia foi transformar um tubo de cartão em câmara fotografica. O tubo tinha 105 cm de comprimento e 8,5 cm de diâmetro.

Foi colocado um pequeno furo, o "pinhole" (ou estenopo, em português) num dos topos do tubo, para utilizar todo o comprimento do tubo como câmara, o equivalente a uma grande teleobjectiva.

Do lado oposto do tubo foi colocado outro estenopo, mas desta vez lateralmente, para tirar partido da distância mais curta do tubo (o seu diâmetro) e também para podermos fazer fotografias com o papel curvado dentro do tubo.

Foi colocada uma tampa amovível e estanque à luz no topo onde se colocavam os papeis fotográficos, quer para a distância maior, quer para a distância mais curta.

Primeira imagem com o estenopo de topo. A distância ao assunto rondava os 60 metros.
Tempo de exposição: 6 min e 10 seg.
Diâmetro do "pinhole": 1,34 mm
F stop: 750
Sensibilidade do papel fotográfico: 6 ASA
Cálculos realizados com a aplicação "Pinhole Camera Calculator" para sistema Android (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.pinhole&hl=pt_PT)

Segunda fotografia realizada com o estenopo de topo: os dados da imagem são os mesmo da anterior, excepto a distância ao assunto, cerca de 30 metros para o cesto de basquetebol e 15 metros para a vedação de arame.

Outra das experiências do dia foi a construção de uma câmara com «distância focal» variável (em pinhole como não há lentes não há focagem - e por isso também não há verdadeira distância focal).

No interior da câmara foram colocados suportes laterais para uma placa amovível, na qual se fixava o papel fotográfico. O plano do papel podia assim ser colocado a três distâncias diferentes do estenopo. Que diferença na imagem é que isso produz...?

Distância mais curta: tempo de exposição de 3 segundos...

Distância intermédia: tempo de exposição de 6 segundos...

Distância maior: tempo de exposição 10 segundos. Repararam que é como se a câmara tivesse um zoom...!!?
Parabéns Simão...!

Já no final do atelier tivemos a visita de três amigos, que muito curiosos acerca do que os outros meninos andavam a fazer a correr de um lado para o outro, não queriam acreditar que era possível fazer fotografias com caixas de sapatos...

... só a pontaria é que terá que ser mais afinada na próxima vez...!

Porque é que as caixas-câmara têm que ser pintadas de preto por dentro...?
Porque é que é preciso o Sol para fazer fotografias pinhole...?
Como é que é possível fazer fotografias com caixas de sapatos se não têm pilhas nem fios eléctricos...?
[Magia......!]
(Fotografia de Paula Estorninho)

No laboratório improvisado num espaço polivalente da Biblioteca Municipal de Serpa, instituição promotora do evento, com o material portátil do PinholeLab...!
(Fotografia de Paula Estorninho)

A câmara pinhole Live View continua a encantar...!
(Fotografia de Paula Estorninho)

Fotografias: Rui Cambraia, salvo indicação expressa nas imagens.

18.6.13

Atelier Pinhole em Serpa III

Algumas imagens:

A velha caixa de papa milupa, uma câmara pinhole Live-View, continua a criar magia.

Um excelente painel de participantes: um bom leque de idades, muita atenção e curiosidade, um verdadeiro luxo para qualquer formador.

Idem...

A grande produção de imagens testemunha, o dinamismo da actividade...!

Fotografias: cortesia da Biblioteca Municipal de Serpa

3.6.13

Atelier Pinhole em Serpa II

Fotografia: Rui Cambraia, Retrato de Grupo, 20 segundos de exposição.

Uma última informação técnica: em Fotografia Pinhole sobre papel fotográfico, nunca se consegue um tempo de exposição correcto simultaneamente para altas luzes e para baixas luzes (sombras) quando a luz é muito intensa - a capacidade que o suporte fotográfico tem  para reproduzir altas luzes e baixas luzes chama-se latitude de exposição, e no caso do papel a preto e branco é muito pequena. Nestas condições temos de optar por fazer o tempo de exposição para as altas ou para as baixas luzes. Por isso foi pedido ao grupo que se colocasse todo ao Sol ou todo à sombra, e isso acabou por ser a maior dificuldade da tarde...! Assim ficámos com uma imagem de grupo com uma exposição correcta para as altas luzes (as zonas mais iluminadas) e quem estava na sombra na sombra ficou mais escuro... (mas só na fotografia): do atelier todos saíram cheios de luz...!

2.6.13

Atelier Pinhole em Serpa

Fotografia de Sandra Lopes

A Biblioteca Municipal Abade Correia da Serra, em Serpa, promoveu no sábado, dia 1 de Junho, um atelier de Fotografia Pinhole organizado por Paula Estorninho e orientado por Rui Cambraia (PinholeLab).
Estiveram presentes 22 participantes, número bem acima das 10 inscrições abertas para a realização do evento. A parte da manhã foi preenchida com uma introdução ao tema da Fotografia Pinhole e com a construção de câmaras artesanais, a partir de caixas de sapatos e cartão canelado, latas diversas e caixas de rolos fotográficos. A parte da tarde foi dedicada à realização de fotografias (negativos a preto e branco) sobre papel RC.
O atelier decorreu com grande entusiasmo e com um intenso ritmo de trabalho. Apesar dos habituais problemas com algumas câmaras, todos os participantes conseguiram realizar diversas imagens com excelentes qualidades técnicas e estéticas. Apesar do elevado número de participantes, para um evento desta natureza, conseguiu-se uma cadência e uma dinâmica de trabalho muito positiva.
A produção deste atelier disponibilizou duas salas polivalentes, uma para a instalação do laboratório fotográfico e outra para os trabalhos manuais relativos à construção da câmara. A Biblioteca Municipal de Serpa tem promovido uma agenda regular de ateliers criativos e diversas actividades de carácter cultural e artístico.